Sempre foi assim: os músicos produzem músicas, e vendem prestação de serviço, tocando músicas para seus clientes. Claro, isso até a possibilidade de gravar as músicas.

O panorama então mudou: além de vender prestação de serviços, agora era possível comercializar um produto, bem de consumo. Reprodutibilidade técnica.

O punk rock, os hippies, Beatles, Elvis, todos t m sua parcela de culpa numa nova mudança de panorama. As músicas deixaram de ser apenas musicais, notas e harmonias. O produto virou um híbrido, onde vende-se estilo, atitude, ideais, imagem e emoções. A música perdeu espaço no cenário musical (sic). Uma música hipermidiática.

Podemos considerar que, a música agora compartilha características com o que chamamos de propaganda. As gravadoras entenderam isso e temos como prova factual disso o vulgo “jabá”, prática que elas mesmas realizam e consiste em pagar para rádios e similares afim de veicular as músicas do artista “anunciante”.

Mas os discos ainda eram vendidos, com um preço alto o suficiente para pagar lucro aos artistas, e toda a parafernália profissional responsável pelo lado não musical da música.

Contraditório.

Paralelamente a isso, a pirataria sempre existiu, sempre combatida como amea a aos lucros. Mas, quem diria, seu panorama também mudou. A pirataria física, e lucrativa, deu espaço a uma versão digital, pouco lucrativa para o mercado informal, com ares inocentes e despretenciosos. Mp3.

Na mesma época, mas não necessariamente uma resposta a isso, surgiram os discos com faixa multimídia. Ao colocar a mídia no computador, o usuário tinha acesso a um conteúdo extra: aplicativos shockwave (pai do flash), vídeos, entrevistas e afins. Conteúdo nem sempre musical.

O conceito ainda existe, mas não rendeu muitos frutos. Atropelado pelos dvd`s e conexões banda larga, que permitiram uma pirataria digital audio-visual, o conteúdo que vinha preso a uma navegação pré-estabelecida, ficou pouco sedutor.

Pudera! Não haviam percebido que música é propaganda, e na contramão tentaram valorizar o produto para justificar o preço praticado no mercado.

Mas houve quem soube aproveitar a informação. Algumas bandas norueguesas, djs e o exemplo mais famoso, o Radiohead, distribuiram suas músicas gratuitamente. E colheram frutos. Ovacionados pela mídia conseguiram repercussão provavelmente superior a que alcançariam pelo esquema tradicional. A música é sua mídia, poderosa, e o lucro é consequência do trabalho de marca eficiente.

E ao meu ver esse é o novo panorama. Bandas conquistam fãs distribuindo músicas, e lucram com shows, ringtones, licenciamento para uso em outras propagandas, das músicas e da imagem do artista, extensão de marca (ou seja, produtos não sonoros) e de quaisquer outras formas inventadas e a inventar de lucrar com uma marca bem construída.